Carta ao Vento de Inverno

 

Cai a neve, lenta confidência
sobre telhados, sonhos e pecados.
O mundo cala a sua turbulência
e guarda amores nunca confessados.

Há uma chama frágil na distância,
um nome que repito sem razão;
o tempo veste a fria elegância
de quem aprendeu tarde a solidão.

Ah, se teus olhos, breve primavera,
rompessem o rigor desta estação,
talvez meu verso, tímido, ainda soubera
acreditar no fogo da paixão.

Mas sigo, como seguem os viajantes,
entre a memória e o que não voltou;
o coração escreve, vacilante,
histórias que o destino recusou.

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