1º de Maio: entre o cansaço e a coragem, por que precisamos ocupar as ruas
Eu tenho pensado muito sobre o que significa, hoje, sair de casa para ir às ruas no Dia do Trabalhador. Não é apenas um gesto simbólico, como muitos tentam reduzir. Também não é um ritual esvaziado de sentido. Ir às ruas, no Brasil de hoje, é quase um ato de reexistência, uma forma de dizer que ainda estamos aqui, apesar do cansaço, da precarização e das tentativas constantes de nos silenciar. Há algo de profundamente paradoxal no nosso tempo. Nunca se trabalhou tanto, nunca se produziu tanta riqueza e, ainda assim, seguimos exaustos, inseguros e, muitas vezes, sem tempo para viver. A promessa de progresso parece ter se convertido em uma máquina de captura da vida. É nesse contexto que a proposta de redução da jornada de trabalho, como a escala 4x3, deixa de ser uma utopia distante e passa a ser uma necessidade concreta. Não se trata apenas de “trabalhar menos”, como alguns discursos apressados tentam caricaturar. Trata-se de redistribuir o tempo, esse bem tão fundamental qua...