Lembrança ao Entardecer

 

Oh tardes mansas da minha infância,
que voltam leves como um cantar distante,
trazendo o cheiro da terra molhada
e a voz do tempo chamando meu nome.

Havia um céu maior sobre as árvores,
e o mundo cabia na palma das mãos.
Eu corria sem medo dos dias,
como quem não conhece despedidas.

Minha mãe, estrela de passos calmos,
costurava silêncio nas horas quentes
e eu, menino de sonhos enormes,
inventava eternidades no quintal.

Hoje caminho entre ruas apressadas,
carrego relógios dentro do peito;
mas às vezes o vento me toca
e devolve um pedaço de mim.

Ah, se eu pudesse morar naquele instante
onde a esperança era simples e inteira,
eu guardaria a luz do primeiro riso
numa caixa feita de memória.

E quando a noite cair sobre os homens,
hei de lembrar, com ternura e saudade,
que fui criança, que fui promessa,
e que a vida, um dia, foi pura manhã.

 

Parte inferior do formulário

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O elétron é a Matrix da realidade? Uma pergunta entre a física, o mito e o desejo de sentido

Saudade que Amanhece

A viagem proibida: quando o corpo feminino se torna território vigiado