Entre a Janela e o Infinito
Há uma
pequena folha
que insiste em cair
bem diante da minha janela.
Ela não
sabe
que participa
do movimento das estrelas.
Passei a
manhã inteira
observando sua lenta despedida,
enquanto a cidade,
apressada e cheia de relógios,
esquecia-se de olhar para o céu.
Talvez a
sabedoria
seja apenas isto:
descobrir que o universo
fala baixo.
Quando eu
era jovem,
imaginava que a eternidade
morava nas grandes palavras,
nos monumentos,
nas revoluções,
nos livros muito grossos.
Agora
suspeito
que ela se esconda
na poeira dourada
que dança sobre a mesa,
na mão que procura outra mão,
na chuva que hesita
antes de tocar a terra.
Toda flor
conhece
um segredo sobre o tempo
que os homens desaprenderam.
Toda
criança carrega
uma pergunta
que os filósofos ainda perseguem.
E eu,
que já quis compreender
a ordem das coisas,
contento-me hoje
em escutar o vento
atravessando as árvores.
Porque
talvez viver
não seja conquistar o mundo,
nem decifrar o destino,
nem vencer a morte.
Talvez
viver seja apenas
abrir a janela,
acolher a folha que cai
e, por um breve instante,
sentir que o infinito
também passa por nós.
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