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Mostrando postagens de julho, 2026

Educar quando todos disputam a mente

  Ainda acredito que a educação seja um caminho de transformação. Mas já não posso defendê-la com a ingenuidade de quem imagina a escola como o único lugar onde crianças, jovens e adultos aprendem a interpretar o mundo. Hoje, professores, orientadores, psicólogos, assistentes sociais, bibliotecários e demais trabalhadores da educação disputam a formação das consciências com igrejas, influenciadores, plataformas digitais, empresas de tecnologia, grupos políticos, publicidade e sistemas algorítmicos que conhecem intimamente os hábitos dos usuários. A escola não perdeu sua importância. Perdeu o monopólio, que, na verdade, talvez nunca tenha possuído, sobre a produção e a circulação do conhecimento. A diferença é que os concorrentes atuais chegam ao estudante pelo celular, acompanham-no durante quase todo o dia e falam numa linguagem rápida, emocional e personalizada. Enquanto um professor procura desenvolver um argumento durante uma aula, o TikTok oferece dezenas de vídeos em poucos...

O pensamento que nasce do encontro: uma leitura de Mentes brilhantes não pensam igual

  Ao ler Mentes brilhantes não pensam igual , organizado por Marcelo Gleiser, fui conduzido por uma ideia ao mesmo tempo simples e radical: os grandes problemas humanos não podem ser compreendidos por uma única disciplina, uma única cultura ou uma única forma de racionalidade. Mudanças climáticas, inteligência artificial, consciência, espiritualidade, longevidade e futuro da humanidade ultrapassam os limites das especializações. Exigem encontros entre saberes que, durante muito tempo, aprenderam a desconfiar uns dos outros. O livro reúne oito conversas públicas moderadas por Gleiser na Universidade Dartmouth, entre 2016 e 2021. Entre os participantes estão nomes como António Damásio, David Chalmers, Elizabeth Kolbert, Siddhartha Mukherjee, Rebecca Goldstein e Mark O’Connell. Os diálogos atravessam questões como consciência, tempo, realidade, tecnologia, ciborgues, crise ambiental e imortalidade. Mais do que oferecer respostas definitivas, a obra defende a pluralidade intelectua...