Quando a memória deixa de proteger: do Holocausto à tragédia palestina
Ler A Indústria do Holocausto: Reflexões sobre a Exploração do Sofrimento Judaico , de Norman G. Finkelstein, é entrar em um terreno no qual qualquer palavra precisa ser cuidadosamente pensada. Não porque o Holocausto deva ser colocado fora da crítica histórica, nenhuma experiência humana deveria estar, mas porque estamos diante de uma das maiores catástrofes produzidas pelo homem moderno. Aproximadamente seis milhões de judeus foram assassinados pelo regime nazista e seus colaboradores. Antes de discutir os usos políticos dessa memória, portanto, considero indispensável reconhecer a dimensão incomensurável do crime que lhe deu origem. É justamente dessa distinção que parte minha leitura de Finkelstein. Filho de sobreviventes judeus do Holocausto, ele não nega a Shoah nem diminui sua gravidade. Sua provocação consiste em separar aquilo que aconteceu historicamente daquilo que chama, de maneira deliberadamente controversa, de “indústria do Holocausto”: um conjunto de instituições, ...