Fascismo tardio: quando o passado deixa de ser passado
Ler Fascismo tardio , de Alberto Toscano, provoca em mim uma inquietação que ultrapassa o interesse histórico pelo fascismo. O livro me obriga a olhar para o presente e desconfiar de uma ideia confortável: a de que o fascismo pertence definitivamente ao século XX, encerrado entre fotografias em preto e branco, discursos de Mussolini, marchas nazistas, campos de concentração e ruínas da Segunda Guerra Mundial. Toscano nos força a perguntar se aquilo que chamamos de fascismo realmente desapareceu ou se algumas de suas estruturas, afetos e violências sobreviveram, assumindo outras formas dentro das próprias democracias contemporâneas. Essa mudança de perspectiva me parece fundamental. Talvez estejamos procurando o fascismo no lugar errado. Esperamos encontrá-lo uniformizado, organizado em partidos explicitamente fascistas, anunciando a destruição da democracia. Enquanto isso, podemos deixar de perceber processos autoritários que acontecem de maneira fragmentada: na militarização d...