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Mostrando postagens de setembro, 2026

Fascismo tardio: quando o passado deixa de ser passado

  Ler Fascismo tardio , de Alberto Toscano, provoca em mim uma inquietação que ultrapassa o interesse histórico pelo fascismo. O livro me obriga a olhar para o presente e desconfiar de uma ideia confortável: a de que o fascismo pertence definitivamente ao século XX, encerrado entre fotografias em preto e branco, discursos de Mussolini, marchas nazistas, campos de concentração e ruínas da Segunda Guerra Mundial. Toscano nos força a perguntar se aquilo que chamamos de fascismo realmente desapareceu ou se algumas de suas estruturas, afetos e violências sobreviveram, assumindo outras formas dentro das próprias democracias contemporâneas. Essa mudança de perspectiva me parece fundamental. Talvez estejamos procurando o fascismo no lugar errado. Esperamos encontrá-lo uniformizado, organizado em partidos explicitamente fascistas, anunciando a destruição da democracia. Enquanto isso, podemos deixar de perceber processos autoritários que acontecem de maneira fragmentada: na militarização d...

Monark diante da esquerda: liberdade, responsabilidade e o difícil direito de mudar

  Assistir a uma conversa entre Breno Altman e Bruno Aiub, o Monark, provoca em mim uma sensação que considero politicamente saudável: desconforto. Não porque o diálogo necessariamente modifique aquilo que penso sobre as declarações que tornaram Monark uma das figuras mais controversas da internet brasileira, mas porque me obriga a enfrentar uma pergunta que frequentemente evitamos: o que fazemos, democraticamente, com quem defende ideias que julgamos profundamente equivocadas? Há algo simbolicamente interessante no próprio encontro. De um lado, Breno Altman, jornalista identificado com a esquerda, acostumado a entrevistar intelectuais, militantes e personagens da política nacional e internacional. Do outro, Monark, personagem surgido da cultura digital, fundador do Flow Podcast e transformado, especialmente depois de 2022, em símbolo de uma determinada concepção quase absoluta da liberdade de expressão. Não me interessa transformar Monark nem em mártir nem em monstro. Essa t...