Por que nunca somos suficientes? Reflexões sobre Não se cobre tanto, de Ellen Hendriksen, entre a psicanálise e a crítica da sociedade contemporânea
Ler Não se cobre tanto ( How to Be Enough ), de Ellen Hendriksen, foi uma experiência que me colocou diante de uma pergunta tão simples quanto perturbadora: por que, mesmo quando alcançamos objetivos, recebemos reconhecimento e acumulamos experiências, continuamos sentindo que ainda não somos suficientes? Ao longo da leitura, fui percebendo que essa pergunta não pertence apenas ao campo da psicologia clínica. Ela atravessa a psicanálise, a filosofia, a sociologia e, talvez, a própria condição humana contemporânea. O livro de Hendriksen, embora escrito em linguagem acessível e apoiado em evidências empíricas, aborda uma das grandes patologias do nosso tempo: a incapacidade de reconhecer nossa própria legitimidade para existir sem a necessidade permanente de provar nosso valor. O que mais me impressionou foi perceber que a autora não trata a autocrítica excessiva como um defeito de personalidade, mas como uma estrutura subjetiva profundamente enraizada. A voz interior que nos ...