Esperança ativa: entre o colapso e a escolha de continuar
Eu não li Esperança Ativa , de Joanna Macy e Chris Johnstone, como quem busca conforto. Li como quem procura fôlego. E talvez seja essa a primeira ruptura que o livro propõe: abandonar a ideia de esperança como consolo passivo, aquela esperança que espera, para assumir uma esperança que age, que se move mesmo quando não há garantias. Vivemos um tempo em que o colapso deixou de ser hipótese distante. A crise climática, o esgotamento psíquico coletivo, a desigualdade brutal e a sensação difusa de que algo está profundamente errado fazem parte do cotidiano. E, nesse cenário, eu me percebo oscilando entre dois polos: o desespero paralisante e o cinismo confortável. Macy e Johnstone entram exatamente nessa fissura. Eles me confrontam com uma pergunta incômoda: o que você faz com o que você sabe? A proposta da “esperança ativa” não é otimista. Isso é fundamental. Não se trata de acreditar que tudo vai dar certo. Trata-se de escolher agir apesar da incerteza . Aqui, o livro rompe ...